sábado, 31 de janeiro de 2015

Eu sinto cheiro de paz. Não sei se é dom, se é cisma ou se é fato. 

Eu sinto cheiro de coisa boa e aí me perfumo daquilo, na maioria das vezes me borrifo de abraços. 

E eu gosto de gente que cheira a paz. 

É uma mistura de amor com fé e essência de jardim. 

E eu gosto de sorrisos florais e de gente que rega sonhos pelo menos uma vez por dia... 

(ana nunes)



quinta-feira, 22 de janeiro de 2015



"... fica decretado que todo mês de julho (mas pode ser junho, agosto, pode ser sempre, quando as almas andarem escuras e as pessoas não se amarem mais) haverá dez ou quinze dias de sol (dependendo do peso da barra a ser aliviado) e luz para que todos enlouqueçam um pouco de prazer.[...] Nesse período, ficam intimados os humanos a interromper as dores, a esquecer as mágoas, a adiar as dívidas, a perdoar os outros."



(Caio F. Abreu)

Martha Medeiros

ATEMPORAL

Acima das Nuvens foi o primeiro filme a que assisti em 2015, com a sempre ótima Juliette Binoche e a enjoadinha da Kristen Stewart, que reverteu minha má vontade com ela: está muito bem como a secretária pessoal da diva interpretada por Binoche. A história aqui resumida: uma atriz na faixa dos 40/50 anos é convidada a atuar no remake de uma peça que ela havia feito 20 anos antes, só que agora ela ficará com o papel da mulher mais velha do elenco e terá que contracenar com uma jovem atriz em ascensão que fará o papel que foi dela no passado.
Este é o conflito da personagem de Juliette Binoche. Ela é uma atriz que voltará a atuar na peça que a consagrou e onde há uma forte tensão sexual entre duas mulheres: uma jovem audaciosa e irreverente que manipula uma mulher madura. Pois agora a atriz que deslumbrou o mundo 20 anos antes, interpretando a jovem, foi escalada para fazer a madura. Naturalmente, há uma relutância em se render a esse novo papel, pois lhe parece a confirmação de sua decadência. Mas não há decadência nenhuma, apenas medo de enfrentar as mudanças que a passagem do tempo provoca.
É um filme de pouca ação, porém de muitas nuances. 

O ritmo do filme é tranquilo, só ganha certa agitação com a entrada em cena da jovem atriz que dividirá o palco com a atriz consagrada, quando fica claro que já não se fazem mais divas como antigamente. 
As duas jantam num restaurante com o diretor da peça, e este só dá atenção para a garota que é perseguida por paparazzi, que está envolvida numa relação de amor clandestina, que vive cercada por seguranças. É a parte atraente do seu currículo: o alvoroço que provoca em volta. Enquanto isso, a atriz veterana descobre que se tornou invisível.
Será mesmo que estamos todos condenados a um final melancólico? 

É inegável que temos que abrir passagem aos que vêm atrás. 
Eles chegam com um frescor que já não temos, com um código de comunicação que não dominamos, com uma urgência que para nós não faz mais sentido. 
Tornamo-nos seletivos e serenos com o passar dos anos, mas ainda há estrada pela frente e temos que dividi-la com aqueles que têm menos bagagem e que correm mais ligeiro. Inevitavelmente, seremos ultrapassados por eles, mas não há razão para interrompermos nossa viagem e nos exilarmos em nossas memórias.
Há uma forma de resistir ileso às diversas etapas da vida: não nos restringindo a nenhuma delas. 

Não nos catalogando como jovem ou como velho. 
Sendo atemporal.
O atemporal não reproduz comportamentos padrão. 

Não coleciona slogans nem certezas. 
Não vira as costas para o novo nem para o antigo. 
Não é assombrado por datas e idades: ele plana pela vida sem referências limitadoras, portanto, nunca é inadequado.
Sempre haverá um papel para ele.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

O amor é feito casinha de joão-de-barro: 
 é construído devagar,no dia a dia. 
Sua matéria-prima é simples,
 mas aquece,acolhe.
E a gente mora ali cheio de fé, 
confiantes de que estamos protegidos 
das nossas próprias tempestades 
e do vento frio da solidão.